Territórios

Dois anos depois, clima ainda é de medo no Rio Abacaxis

Dois anos depois do massacre do Rio Abacaxis, no interior do Amazonas, o clima ainda é de tensão e medo. O Vocativo tentou contato com moradores da região, mas alegando insegurança, ninguém quis falar

Dois anos depois do massacre do Rio Abacaxis, entre os municípios de Nova Olinda do Norte e Borba, no interior do Amazonas, e o clima ainda é de tensão e medo no local. Essa semana, o Vocativo tentou contato com diversas lideranças e moradores da região, mas alegando insegurança, ninguém quis dar nenhuma declaração ou depoimento. Representantes de entidades de defesa de povos indígenas também não retornaram contato do site, não explicando o motivo.

Entre os dias 24 de julho e 03 de agosto de 2021, um confronto entre a policiais e traficantes na região do Rio Abacaxis, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, causou a morte de pelo menos dez pessoas, além de relatos de graves violações de direitos humanos. A região faz parte dos Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAEs) Abacaxis I e II, e território indígena Maraguá reivindicado.

O Ministério Público Federal (MPF) cobrou esta semana a adoção de medidas concretas por parte de órgãos públicos das três esferas de poder para resguardar física e mentalmente povos indígenas e comunidades tradicionais afetados pelo cenário de insegurança.

Vários órgãos federais e estaduais foram acionados, como o Ministério da Cidadania, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a Polícia Federal, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Fundação Nacional do Índio (Funai), além da Secretaria Estadual de Assistência Social e prefeituras e secretarias municipais de saúde e assistência social dos municípios de Borba e Nova Olinda do Norte. Nenhum deles respondeu ao site que medidas seriam tomadas.

Apelo

Em carta direcionada ao MPF em 2021, o povo indígena Maraguá relata que o dia em que ocorreu a operação policial no Rio Abacaxis “foi um dos momentos mais difíceis da existência” dessa população, quando suas “vidas ficaram nas mãos de traficantes e sob a ameaça da Polícia Militar”, com “casas queimadas e arrombadas; bens materiais roubados e destruídos; pessoas abusadas, agredidas e torturadas”.

“Tivemos nossa identidade negada e nosso território. Foi um mês onde passamos fome, sede e medo; ficamos reféns sem poder realizar nossas atividades, como a caça, a pesca e a agricultura. Foi impactante e traumático para as nossas vidas e para nossa cultura”, diz o documento.

Segundo a carta, as comunidades passaram um curto tempo de tranquilidade após o dia do conflito com a presença da Polícia Federal, mas logo “a PF foi embora e barcos pesqueiros, caçadores, madeireiros, garimpeiros e traficantes, em suas atividades voltaram a amedrontar e invadir o território”. Encerra pedindo que as instituições governamentais assumam suas responsabilidades com os povos indígenas e populações tradicionais e pedem a instalação de uma base de proteção das aldeias indígenas e comunidades não indígenas locais.

Com informações do MPF-AM


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