Territórios

Senador do Amazonas mente sobre questões climáticas da Amazônia

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) usou seu pronunciamento nesta quarta-feira (10/08/2022) para promover desinformação sobre a região Amazônia. O político classificou os autores de um estudo publicado no periódico norte-americano Nature Climate Change – um dos mais conceituados do mundo – de “cretinos”.

A publicação divulgou que cerca de 50% da floresta amazônica está próximo de “virar uma grande savana”, por causa de ações humanas que podem contribuir para o agravamento do aquecimento global. Segundo o estudo, as ações humanas na região da floresta trarão enormes prejuízos para a biodiversidade, pois mudarão os “padrões meteorológicos regionais, além de acelerar de forma dramática as mudanças climáticas já nas próximas décadas”.

O senador desdenhou da publicação e ainda xingou os cientistas. “Estamos em 2022, e os cretinos não reconhecem que estavam errados. Embora se fale nisso há aproximadamente 80 anos, até hoje não houve nenhum fato concreto neste sentido, e nenhum só palmo de terreno em toda a Amazônia se tornou areal” afirmou.

O parlamentar do Amazonas atacou ainda outra publicação recente do projeto MapBiomas revelou, que em seu relatório anual sobre desmatamento, ter sido derrubado o equivalente a 1,89 hectare por minuto de floresta, o que significa a derrubada de 18 árvores por segundo. Em sua opinião, esses dados são inverídicos, pois é questionável “a fonte desse estudo”, que não fornece a fonte de dados.

Por que é falso?

A fala do senador é falsa por vários motivos. Primeiro porque não são apenas o Mapbiomas e a publicação da Nature Climate Change oferecem uma vasta quantidade de fontes de informação, que vão desde monitoramento de satélites. O Mapbiomas, por exemplo, publica seus boletins à partir dos alertas gerados pelos sistemas Deter (Inpe), SAD (Imazon) e Glad (Universidade de Maryland).

Já o estudo da da Nature Climate Change utiliza dados dos mesmos satélites, além do Programa de Avaliação do Desmatamento na Amazônia Brasileira (PRODES) e do Global Forest Change (GFC).

Além disso, há uma vasta literatura científica que comprova as alegações das duas fontes, sendo a principal delas, o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em inglês), criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial com o objetivo de sintetizar e divulgar o conhecimento mais avançado sobre as mudanças climáticas. 


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