A Polícia Federal está sendo acusada de articular uma manobra para proteger os investigados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado. Isso porque membros da CPI estranharam o fato de que as testemunhas estão sendo ouvidas antes das audiências, o que dá a elas a oportunidade de recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantirem um habeas corpus, conseguindo assim o direito de ficarem em silêncio nos depoimentos. Há suspeitas de que seja exatamente isso que motive a antecipação da PF.
Durante o depoimento nesta terça-feira (13/07/21) da diretora da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM) disse achar inexplicável o fato de Emanuela ter dito que prestou depoimento um dia antes à Polícia Federal, como já ocorrera com o proprietário da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano.
Em resposta, a Policia Federal (PF) lançou nota negando as acusações e afirmando que a instituição trabalha de forma isenta e imparcial na investigação do processo de compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde. Segundo a PF, a investigação segue as disposições legais, incluindo os depoimentos realizados.
Não é de hoje que a isenção da PF é posta em dúvida. Em abril, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou durante cerimônia de posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, que ele teria sob seu comando “sua própria Polícia Federal”. Torres, por sua vez, nomeou o delegado Paulo Maiurino como novo diretor-geral da PF.
Em abril de 2020, o ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro deixou o governo afirmando que Bolsonaro pressionava pela troca no comando da Polícia Federal, o que, segundo Moro, poderia levar a “relações impróprias”. A intenção de Bolsonaro era nomear para o cargo o Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagen, próximo aos filhos do presidente, o que acabou barrado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
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