Territórios

Ministério Público anuncia investigação sobre chacina da PM em Tabatinga

Integrantes da Polícia Militar do Amazonas teriam matado e torturado pelo menos sete pessoas por vingança contra a morte de um sargento no último dia 12 de junho. Um PM teria dito a familiares: “Agora é a lei do Bolsonaro: bandido bom é bandido morto”

O Ministério Público do Amazonas anunciou investigação sobre a denúncia de uma chacina no município de Tabatinga (1.106.000 km de Manaus). Segundo matéria da Folha de São Paulo, integrantes da Polícia Militar do Amazonas teriam matado pelo menos sete pessoas por vingança contra a morte de um sargento no dia 12 de junho, sendo que três delasforam jogadas no lixão com sinais de tortura.

A onda de violência teve início com a morte do sargento Michael Flores Cruz, por volta de 12h do dia 12, um sábado. O policial estava na região portuária de Tabatinga quando foi alvejado com dois tiros, um deles na cabeça. Logo após o assassinato, um áudio distribuído via WhatsApp fez a convocação: “Todos os PMs que estiverem de folga desloquem-se para o 8º Batalhão para manter uma reunião aqui. Nosso colega M. Cruz foi a óbito”.

Como consequência disso, os policiais teriam iniciado a caçada que teria vitimado em sua maioria jovens negros e sem aparente relação com o assassinato. Os policiais teriam ainda invadido e vandalizado casas, ameaçaram familiares dos mortos, adulteraram atestado de óbito e impuseram a lei do silêncio. Em uma das casas invadidas, um PM teria dito a familiares: “Agora é a lei do Bolsonaro: bandido bom é bandido morto”.

Além dos quatro mortos, outros quatro jovens foram levados por PMs, sempre segundo testemunhas. Um deles, Gabriel Pereira Rodrigues, 18, foi visto dentro de uma viatura, aparentemente sendo obrigado pelos policiais a indicar o local de residência de outros jovens.

Ele apareceu entre os três mortos encontrados na madrugada do dia seguinte (13) no lixão da cidade. Além de tiros na cabeça, apresentavam sinais de tortura. Rodrigues estava nu, com o ânus perfurado. Clisma Ferreira, 17, foi degolado –apenas a pele unia o corpo à cabeça. Antonio Rengifo Vargas, 20, estava esfaqueado e tinha o rosto machucado, entre outros ferimentos.

Investigação

Em nota, o Ministério Público do Amazonas afirma que “a respeito dos fatos ocorridos no município de Tabatinga no dia 12/06/2021, o Promotor de Justiça Sylvio Henrique Duque Estrada, que responde pela 2ª PJ de Tabatinga, instaurou procedimento para acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Civil no município, que correm sob sigilo”. Até o fechamento desta matéria, a Secretaria de Segurança Pública do estado ainda não tinha se pronunciado sobre o episódio.

Foto: Roberto Carlos Mendes/ Secom


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