Com a demissão do ministro Ricardo Salles, exonerado do cargo na última quarta-feira (23/06/21), toda a expectativa se volta para a gestão do novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, ex-secretário da Amazônia e Serviços Ambientais.
O novo titular da pasta assume em meio a uma escalada do desmatamento, especialmente na Amazônia Legal; redução da aplicação de multas ambientais; mudanças no licenciamento ambiental; embates sobre a proteção a territórios indígenas; entre outras pautas polêmicas.
De acordo com boletim divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o desmatamento na região em maio chegou a 1.125 quilômetros quadrados, o que corresponde a quase o tamanho do município do Rio de Janeiro (1.255,3 km²). Na comparação com maio do ano passado, a área desmatada aumentou 70%. Foi o terceiro mês consecutivo de recordes no desmatamento na região.
Apesar da queda de Sales ter acontecido após pressão causada pelas denúncias e investigações junto ao Supremo Tribunal Federal, é pouco provável que tenhamos uma mudança muito significativa nos rumos da política ambiental do país com a chegada do ruralista Joaquim Álvaro Pereira Leite.
“Naturalmente a mudança do nome à frente do Ministério não é suficiente para alterar o quadro atual. O ideal seria que assumisse a pasta alguém com notório conhecimento do setor e atuação sólida na área ambiental. Ao longo da nossa história tivemos grandes especialistas no ministério, que deixaram um legado muito importante para o meio ambiente no Brasil. Apesar de não esperar uma mudança radical, agora existe uma oportunidade rever algumas práticas equivocadas do ministro anterior”, espera Maria Tereza Jorge Pádua, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), da Comissão Mundial de Áreas Protegidas (UICN), do Conselho da Associação O Eco, e ex-presidente do IBAMA.
Foto: Marcos Corrêa/PR
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