Cerca de 140 mil pessoas foram vacinadas contra a Covid-19 em Manaus neste final de semana em mutirão que durou mais de 32 horas. Mas, apesar da expectativa e comoção da opinião pública local, o movimento também teve problemas que precisam ser solucionados. No caso, a incapacidade de bate a meta de vacinação e a desorganização logística que ocasionou uma série de aglomerações em diversos pontos da capital.
Com o deslocamento de centenas de milhares de pessoas por toda a cidade, isso significa que o novo coronavírus também circulou. “A vacinação de tantas pessoas de uma só vez, deve aumentar o risco de contaminação de quem vai para a fila, de seus acompanhantes e da cadeia de contatos de ambos. Isto, na prática, resultará em desperdício de doses nos prováveis contaminados e gerará uma sobrecarga desnecessária sobre os exaustos trabalhadores de saúde” alerta o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz.
O pesquisador lembra que o efeito máximo da vacina Oxford/Astrazeneca só pode ser sentido 105 dias após a primeira dose. “Tudo que é feito às pressas não termina bem, vejamos se as autoridades terão coragem de divulgar a evolução de casos novos nas duas semanas seguintes, especialmente entre aqueles que buscaram se vacinar no fim de semana em questão e no seus contatos”, lamenta.
Para o epidemiologista, a vacinação de um contingente tão grande de pessoas deveria estar ocorrendo em espaço de tempo maior, otimizando não só recursos financeiros e humanos, como também contribuindo para a menor dispersão viral.
Filas e aglomerações
O problema das aglomerações foi identificado em diversos pontos da cidade. Enquanto em alguns locais como o Centro de Convenções Vasco Vasquez, na Chapada e o Centro de Convivência da Zona Norte, no bairro Mutirão e Centro de Convivência da Família Padre Pedro Vignola, no bairro Cidade Nova centenas de pessoas aguardavam o início da vacinação outros locais como o Parque do Idoso, no Bairro Nossa Senhora das Graças passaram a maior parte do dia vazios.
A prefeitura de Manaus chegou a criar uma página batizada de “Filômetro”, mas poucas pessoas souberam disso devido à baixa divulgação. Por conta disso isso, por volta das 14 horasdos 56 pontos de vacinação, 19 ou aproximadamente 1/3 desses postos tinha filas classificadas como gigantes ou grandes, o que significa população exposta. A população não mantém o distanciamento interpessoal mínimo e que as máscaras usadas, normalmente, não filtram o novo coronavírus, o que favorece a circulação viral e seu aumento nas próximas semanas em Manaus, incluindo pessoas previamente vacinadas e que foram envolvidas, direta ou indiretamente”, alerta Jesem Orellana.
Apesar de ser vendida como um grande sucesso, o esforço não surtiu o efeito esperado, pois até pouco mais das 18 horas do dia 13 de junho de 2021, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), dados preliminares indicavam pouco mais de 141 mil efetivamente vacinados com a primeira dose. A meta era 214 mil pessoas. “Certamente, essas 14q mil pessoas poderiam ter sido vacinadas de forma organizada e efetiva entre os dias 14 e 19 de junho, sem sacrificar os exaustos trabalhadores de saúde e evitando novas infecções em plena retomada da segunda onda em Manaus”, explica o pesquisador.
Novo mutirão
Apesar dos erros, o governador Wilson Lima anunciou que, em cerca de 15 dias, um novo grande mutirão para imunizar a população da capital contra a Covid-19 deve ser realizado em parceria com a Prefeitura de Manaus. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (14/06/21), durante entrevista coletiva na qual o governador e o prefeito David Almeida apresentaram os resultados da grande mobilização do último fim de semana que, durante 34 horas, imunizou 141.733 pessoas com a primeira dose. Wilson Lima disse, ainda, que o Estado deve levar o mutirão para municípios polos do interior.
Foto: Tácio Melo/Secom
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