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Vacinação em massa em Manaus é um avanço, mas devagar com a euforia

Vacinação em massa neste final de semana em Manaus gerou enorme expectativa na população. No entanto, especialistas ouvidas pelo Vocativo alertam que é fundamental conter a empolgação e seguir vigilante porque mesmo esse mutirão não garante que não enfrentaremos uma terceira onda da Covid-19

Aconteceu neste final de semana uma campanha de vacinação em massa contra a Covid-19 em Manaus. Mais de 135 mil pessoas receberam a primeira dose dos imunizantes, o que representa quase 6,5 da população da capital. No entanto, apesar do clima de otimismo e euforia na cidade, especialistas ouvidas pelo Vocativo alertam que é fundamental conter a empolgação e seguir vigilante porque mesmo esse mutirão não garante que não enfrentaremos uma terceira onda da Covid-19.

Proteção coletiva, não individual

O primeiro ponto a ser levado em consideração é que vacinação não é uma estratégia individual, mas sim coletiva. Muitos tomaram hoje a sua primeira dose da vacina contra a Covid-19 e isso é ótimo, mas a situação a qual vivemos só vai ser superada quando uma parcela muito, muito maior da população também receber a sua. Até ser possível deixarmos as máscaras em casa, ainda há um longo caminho.

“A vacina não tem caráter individual. O caráter da vacinação é fundamentalmente coletivo. A partir do momento em que uma grande massa for devidamente vacinada, aí você reduz a circulação do vírus” ensina a epidemiologista Isabel Leite, da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais (UFJF).

O segundo é que o objetivo principal desta geração de vacinas não é necessariamente impedir as pessoas de pegarem vírus – embora isso aconteça, com diferentes valores de eficácia de uma para outra – mas sim prevenir casos graves, internações e é claro, mortes. Isso significa que as vacinas protegem e salvam vidas, mas nenhuma delas é 100% eficaz.

Ou seja, mesmo vacinado, você ainda corre perigo com o coronavírus, ainda que, claro, bem menor. “Obviamente a vacina confere proteção. Ela reduz os riscos de você depender de uma hospitalização e reduz o risco dos hospitalizados irem a óbito, mas esse risco ainda existe”, pondera Isabel.

Mas mesmo essa proteção só será possível quando uma parcela significativa da população. “[A vacinação em massa] ainda não é suficiente. Para impactar os indicadores precisaremos avançar em pelo menos 40% de vacinados com as duas doses”, explica a também epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Duas doses

Outra coisa que precisa ser lembrada é que as vacinas atualmente em uso no Brasil e no Amazonas funcionam em regime de duas doses. Ou seja, é fundamental não esquecer de voltar ao posto de saúde quando chegar a sua vez. “Não dá para falar que esta vacinação expressiva evitará a terceira onda. Para bloquear a terceira onda precisaremos de 80% da população vacinada (ou um pouco mais) com as 2 doses”, alerta a a infectologista Raquel Stucchi, da Universidade de Campinas (Unicamp).

“Não sei [se é possível evitar a terceira onda]. Ainda estamos em um parâmetro altíssimo de mortes. Tem outra coisa: a eficácia possível dessas vacinas só vai ser alcançada com as duas doses. No caso da AstraZeneca e da própria Pfizer você só terá a segunda dose daqui três meses. Há um hiato de uma proteção incompleta por três meses. É preciso ter bastante atenção com isso”, ponderou Isabel Leite.

Com base em tudo isso, as especialistas afirmam que é um momento positivo, mas que não podemos baixar a guarda. “É uma vitória. Mas que ainda exige muito empenho para alcançarmos aquilo que a gente pretende. Não dá pra achar que é uma agulhada e pronto”, avalia Isabel. “Não pode empolgar, não pode descuidar!” pede Rachel Stucchi.

Foto: Tácio Melo / Secom


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