A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) informou nesta segunda-feira (31/05/21) que registrou um caso provável de mucormicose, infecção causada por fungo, em paciente imunossuprimido em Manaus. Embora a notícia traga preocupação, não há motivo para pânico.
Antes de tudo, é importante dizer: ela NÃO se chama “fungo preto”, como parte da imprensa classificou ao noticiar casos no Brasil. A mucormicose é uma doença infecciosa causada pelo fungo Rhizopus. Mas ao contrário do que algumas notícias fizeram parecer, ele não é uma nova praga bíblica ou uma ameaça igual ao novo coronavírus, mas um microorganismo comum, que pode ser encontrado em vegetações, solo, frutos e em produtos em decomposição.
Geralmente, ela atinge pessoas portadoras de distúrbios metabólicos descontrolados, como os diabéticos ou debilitadas imunologicamente, como transplantados, que precisam tomar medicamentos contra a rejeição dos órgãos. Nesse caso, o efeito colateral é a perda de parte das defesas do corpo (imunossuprimidos).
“Primeiro é preciso dizer que não é uma doença muito frequente. A manifestação dela é muito rara. Em 48 anos de medicina, esse é apenas o segundo caso que eu vejo. O outro foi ainda nos anos 1970. É um fungo encontrado na natureza, principalmente em locais quentes e úmidos”, lembra o infectologista e diretor-presidente da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Marcus Guerra.
A forma de entrada do microorganismo no corpo humano geralmente é pelas vias aéres. Esse é justamente perigo, uma vez que a doença pode afetar os ossos da cabeça e principalmente o cérebro, comprometendo o sistema nervoso do paciente. “Ele pode ser inalado e atingir principalmente a estrutura da face”, explica o médico.
Covid-19 e mucormicose
O aparecimento de casos de mucormicose em pacientes com a Covid-19 no Brasil e na Índia despertaram a preocupação dos moradores de Manaus após o caso suspeito divulgado nesta segunda. No entanto, a associação entre essas duas doenças é mais comum do que se imagina. “Nós temos visto pacientes com outras manifestações fúngicas tipo aspergilose e histoplasmose”, afirma Marcus Guerra.
Com a pandemia, muitos pacientes internados por longos períodos usando antibióticos para combater infecções, além de más condições sanitárias também contribuem para o aparecimento dessa doença. Aliás, o Vocativo também falou sobre superinfecções por fungo em pacientes com a Covid-19 nesta matéria, caso você tenha interesse.
No dia a dia, a melhor maneira de evitar o risco de contato com esse tipo de fungo é tomar cuidado no manuseio de objetos e móveis que pareçam estar tomados por fungos. Ainda segundo o infectologista, pessoas saudáveis e sem comorbidades tem baixo risco de desenvolver a mucormicose.
Foto: Agência Brasil
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