A vacina CoronaVac tem efetividade de 42% depois de 14 dias de aplicação da segunda dose em pessoas com idade média de 76 anos. O número foi obtido em estudo internacional, com participação da USP, realizado em 15.900 pessoas com 70 anos ou mais no Estado de São Paulo.
A pesquisa também mostra que a efetividade da vacina contra o coronavírus cai com a idade, sendo menor após 80 anos, e tomar somente a primeira dose não oferece proteção contra a Covid-19. Apesar de algumas pessoas terem ficado desanimadas, especialistas afirmam que não há motivo para preocupação.
O primeiro motivo para se tranquilizar é que essa medida é para casos sintomáticos da doença. “A pesquisa avaliou a efetividade da vacina CoronaVac contra infecções sintomáticas pelo sars-cov-2 na população com 70 anos ou mais do Estado de São Paulo, em um contexto onde a maioria das infecções é pela variante P.1, ou seja, verificou se a vacina protege com infecções sintomáticas na vida real”, explica o médico epidemiologista Otávio Ranzani, primeiro autor do artigo. Vale lembrar que o principal objetivo da vacina é proteger contra casos graves, internações e morte.
A partir desses dados, os pesquisadores recomendam que os programas de vacinação garantam a segunda dose da vacina, e que as pessoas continuem a praticar medidas de proteção, como usar máscaras e evitar aglomerações. Vale lembrar que as conclusões do trabalho ainda estão em preprint e ainda precisam ser avaliadas por pares.
Dentro do esperado
De acordo com o epidemiologista, a perda de efetividade observada no estudo já era esperada. “O sistema imune não é ótimo com idades avançadas ou presença de outras doenças. Isso ocorre para outras vacinas também.” A pesquisa não encontrou efeito protetor na primeira dose da vacina, o que, segundo o médico, é um achado importante para os programas de imunização.
“É preciso que os programas garantam a segunda dose da CoronaVac, no tempo recomendado, para todos. Os programas devem planejar uma otimização na vacinação dos idosos a partir de 80 anos e frágeis, seja com reforço ou troca de tipo de vacina, porém isso precisa ser estudado ainda”. Com base nos resultados do estudo, o médico recomenda que medidas de proteção como máscaras, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações devem continuar até termos melhor controle da epidemia.
Dose de reforço
“É necessário que o nosso Plano Nacional de Imunizações (PNI) leve isso em consideração e inicie estudos sobre o tema” orienta o o imunopatologista e oncologista Bruno Filardi. Segundo o médico, a vacina desenvolvida pelo Butantan é uma arma importante na pandemia e pode ser complementada por outros imunizantes. “A Coronavac foi imprescindível. Evitou muitas mortes. Mas na presença de vacinas melhores não tenho dúvida que devemos estudar uma dose de reforço de AZ ou Pfizer para os idosos”, opina.
Outra possibilidade é mudar a atual estratégia de vacinação. Com a chegada de mais doses da Covishield, da AstraZeneca, que está sendo produzida pela Fiocruz, a epidemiologista Ethel Maciel sugere separar as vacinas para diferentes faixas etárias.
“[O PNI] deveria deixar ela [CoronaVac] para os mais jovens e a AstraZeneca para os mais idosos. E ainda tem a questão de pensar na necessidade de uma terceira dose nos idosos”, sugere. O grande problema, segundo ela, é a falta de vacinas. Todas, no caso. “Diante da lentidão da vacina, é triste”, lamentou. O Butantan ainda não informou se estuda a possibilidade de uma terceira dose.
Com informações do Jornal da USP. Foto: Carlos Soares SSP/AM
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