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Governo do Amazonas contesta afirmações de Pazuello na CPI da Pandemia

O ex-ministro disse que a White Martins não prestou informações e a Secretaria da Saúde não fiscalizou o nível de estoque do insumo. No entanto, Secretário de Saúde do Amazonas afirma que telefonou para o ministro no dia 07 de janeiro

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello culpou a empresa White Martins e o Governo do Amazonas pelo colapso de oxigênio no estado em janeiro deste ano. No segundo dia de depoimento à CPI da Pandemia, Pazuello disse que a companhia não prestou informações claras ao poder público e a Secretaria da Saúde não fiscalizou o nível de estoque do insumo. Para o ex-ministro, o governo federal não teve responsabilidade no episódio.

“A empresa White Martins, que é a grande fornecedora, já vinha consumindo sua reserva estratégica e não fez essa posição de forma clara. O contraponto disso é o acompanhamento da Secretaria de Saúde, que não o fez. Se tivesse acompanhando, teria descoberto que estava sendo consumida a reserva estratégica. A responsabilidade quanto a isso é clara: é da Secretaria de Saúde do Amazonas. Da nossa parte, fomos muito proativos”, afirmou.

Em nota enviada ao Vocativo, a Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), contesta tal afirmação. A Secom afirma que no dia 7 de janeiro de 2021, a empresa White Martins relatou à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) dificuldades logísticas para suprir a demanda de oxigênio da rede e solicitando ajuda para o problema.

Nesse mesmo dia, a pasta afirma que o secretário Marcellus Campêlo, ligou para o ministro Eduardo Pazuello informando a situação. O ministro solicitou ao secretário que fosse enviado um ofício ao Comando Militar da Amazônia (CMA) com o pedido para transportar os cilindros de oxigênio da empresa de Belém para Manaus, o que foi feito ainda no dia 7 de janeiro e o pedido atendido pelo CMA no dia seguinte.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), membro da CPI, lembrou que apresentou um pedido formal de intervenção no sistema de saúde do Amazonas. Mas o pedido foi negado pela União. “O Ministério da Saúde não tomou providencias para resolver o problema de oxigênio. Por que não foi feita intervenção? Pedimos a intervenção na saúde publica do Amazonas para salvar vidas. Mas o governo não quis fazê-lo”, disse.

O ex-ministro admitiu que o tema foi levado ao Palácio do Planalto. Segundo ele, a possibilidade de intervenção foi discutida com o presidente da República, Jair Bolsonaro, o governador do Amazonas, Wilson Lima, e um grupo de ministros. “Essa decisão não era minha. Foi levada na reunião de ministros com o presidente. O governador se explicou. Foi decidido pela não intervenção. A argumentação em tese do governador era de que o estado tinha condição de continuar fazendo a resposta dele. Ele teria de continuar fazendo frente à missão”, relatou.

Fotos: Leopoldo Silva/Agência Senado e Thiago Correa/Secom


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