Autoridades de Israel disseram nesta quarta-feira (19/05) que não há um cronograma para o fim dos ataques contra militantes palestinos em Gaza. Militares israelenses fizeram novos bombardeios aéreos, enquanto combatentes do Hamas dispararam mais foguetes por meio da fronteira.
Autoridades médicas palestinas disseram que 219 pessoas foram mortas em dez dias de ataques aéreos, que destruíram ruas, edifícios e outros elementos da infraestrutura e pioraram a situação humanitária já severa em Gaza. O governo israelense estima em 12 o número de mortos no país.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não mencionou nenhuma interrupção dos combates, em comentários públicos feitos durante uma reunião com embaixadores estrangeiros. Disse que seu país está engajado em uma convencimento vigoroso para evitar conflitos futuros com o Hamas.
Em comentários de uma sessão fechada de perguntas e respostas citados pela mídia israelense, ele disse: “Não estamos parados com um cronômetro. Queremos alcançar os objetivos da operação. Operações anteriores duraram muito tempo, então não é possível estabelecer um cronograma”.
Em um ataque de 25 minutos de madrugada, Israel bombardeou alvos como túneis que seus militares disseram existir no sul da Faixa de Gaza e que estariam sendo usados pelo Hamas, o grupo islâmico que governa o território.
Cerca de 50 foguetes foram disparados de lá, segundo os militares israelenses, e sirenes foram acionadas na cidade litorânea de Ashdod, ao sul de Tel Aviv, e em áreas mais próximas da fronteira de Gaza. Não surgiram relatos de ferimentos ou danos de madrugada, mas dias de disparos de foguetes perturbam muito os israelenses.
Quase 450 edifícios de Gaza, densamente povoada, foram destruídos ou seriamente danificados, incluindo seis hospitais e nove centros de atendimento de saúde primários. Cinquenta e dois mil palestinos foram deslocados, de acordo com a agência humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU). As hostilidades são as piores em anos entre o Hamas e Israel e, à diferença de conflitos prévios em Gaza, ajudam a incitar episódios de violência entre judeus e árabes nas ruas de cidades israelenses.
Histórico
De acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), existem hoje 59 campos de refugiados palestinos. Eles estão espalhados pela Jordânia, Líbano, Síria, Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Só em Gaza são 8 campos com cerca de 1 milhão e 400 mil refugiados, o que corresponde a 83% da população. Na última década, a situação socioeconômica dessa população piorou em consequência de anos de ocupação, de conflitos e do bloqueio à região. A maioria ficou dependente da ajuda internacional.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), passados 71 anos do êxodo, o número de presos políticos palestinos em prisões israelenses é grande. Desde 2015, mais de 10 mil palestinos foram presos; desde 1967, 800 mil; e mais de um milhão desde a Nakba, em 1948. Em março de 2019 eram 5.450 presos políticos palestinos espalhados em 17 prisões, 2 centros de detenção e 2 centros de interrogação israelenses. Deste total, 540 presos cumprem prisão perpétua, 68 condenados cumprem penas de mais de 20 anos e 497 estão em detenção administrativa.
Segundo a UNRWA, cerca de 450.000 palestinos vivem no Líbano e cerca de 50 por cento em 12 campos de refugiados. São privados de muitos direitos importantes. Não podem, por exemplo, trabalhar em 20 atividades profissionais. Na Síria, estão mais de 510.000 refugiados palestinos também em 12 campos. Muitos têm os mesmos direitos de cidadãos sírios, inclusive com acesso a serviços sociais, mas têm um maior índice de mortalidade infantil e um menor número de crianças matriculadas em escolas. Ainda de acordo com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, quase 875 mil palestinos estão registrados em 19 campos de refugiados da Cisjordânia.
Infância de guerra
Em 2013, o Unicef publicou um relatório apontando que que os maus-tratos de crianças palestinas no sistema de detenção militar israelense são generalizados, sistemáticos e institucionalizados. Desde 2000, pelo menos 8 mil palestinos com menos de 16 anos foram detidos, interrogados e acusados pela justiça militar israelense. Conforme estipulado pela Ordem Militar 1651, crianças palestinas dos 12 aos 13 anos estão sujeitas a penas de 6 meses; dos 14 aos 15 anos, 12 meses na prisão.
Já um levantamento realizado pela ONG Dci Palestine afirma que 2016 foi o ano com mais mortes de crianças palestinas pelas forças israelenses nos últimos dez anos, com 32 mortos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.
Com informações das Agência Brasil e Câmara. Foto: Shareef Sarhan/UN
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