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O que se sabe sobre a variante B.1.1.7, descoberta em Manaus

A variante do coronavírus designada como B.1.1.7, descoberta pela primeira vez em setembro de 2020, no Reino Unido, foi detectada em Manaus na última quinta-feira (13/05). Mas o que ela tem de tão diferente e por que desperta tanta preocupação?

A B1.1.7 é uma das variantes do vírus classificada como variante de preocupação ou VOC (variant of concern, em inglês). Outras variantes como a P.1 (diagnosticada aqui mesmo em Manaus em janeiro) e a B.1.3.5 (diagnosticada pela primeira vez na África do Sul).

Em comum, todas têm a capacidade de ser mais transmissível que o vírus comum, além de escapar um pouco da eficácia das vacinas e da imunidade de uma primeira infecção. A última a entrar nessa categoria, a B.1.617 (diagnosticada pela primeira vez na Índia) ainda está sendo estudada, mas já foi classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como de “preocupação global”.

Mas, voltemos para a B.1.1.7. Inicialmente, imaginava-se que ela também poderia ser mais letal. Mas, estudos científicos publicados em duas áreas da revista médica Lancet indicam que as pessoas infectadas com a variante do SARS-CoV-2 identificada no Reino Unido não contraem formas mais graves da Covid-19.

Os estudos foram feitos por observação, analisando a situação de pessoas infectadas com a variante designada como B.1.1.7, em um hospital de Londres, no Reino Unido, e por meio do que cerca de 37 mil pessoas infectadas declararam num trabalho britânico de acompanhamento de sintomas.

Em artigo publicado no boletim The Lancet Infectious Diseases, foram analisados 341 doentes admitidos no hospital do University College e no hospital da Universidade de North Middlessex em novembro e dezembro passado. A conclusão foi que os infectados com a variante não ficaram doentes com maior gravidade, mas a carga viral foi superior.

“Não se detectou prova de uma associação entre a variante e doença mais grave, com 36% dos doentes com a B.1.1.7. a ficarem gravemente doentes e a morrerem, quando comparado com os 38% dos que tinham uma variante diferente”, concluíram os pesquisadores, que reconhecem a necessidade de investigação mais aprofundada.

Em outro estudo, divulgado na publicação The Lancet Public Health, analisaram-se dados submetidos à aplicação Covid Symptom Study entre setembro e dezembro de 2020, que foram cruzados com as análises genéticas regionais conduzidas pelas autoridades de saúde britânicas destinadas a detectar a presença de variantes.

“A análise revelou que não há associações estatisticamente significativas entre a proporção da B.1.1.7. entre regiões e os tipos de sintomas que as pessoas tiveram”, concluíram os pesquisadores. Além disso, a proporção de pessoas que tiveram casos prolongados de covid-19, com sintomas persistentes, não foi alterada pela presença da variante.

No entanto, os autores concluíram que o índice de transmissibilidade (Rt) é 1,35 vez superior na variante B.1.1.7. A pesquisadora Britta Jewel, do Imperial College, comentou que o estudo contribui para o consenso de que a B.1.1.7. aumenta a transmissibilidade, o que levou, em grande parte, ao aumento exponencial de casos no Reino Unido e em outros países europeus.

Foto: NIAID


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