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Libertadores 2020: de desacreditados e finalistas

Em um melancólico Maracanã vazio sem público, em virtude da pandemia do novo coronavírus, Santos e Palmeiras fazem na tarde deste sábado (30/01) a final da Taça Libertadores 2020. As duas equipes chegam à decisão com campanhas irretocáveis, mesmo após chegarem ao torneio sem serem apontadas como favoritas.

Isso porque tanto Palmeiras quanto Santos enfrentam dificuldades financeiras e políticas ao longo da temporada de 2020. O Palmeiras teve problemas com o patrocínio da Crefisa após a receita federal aplicar multa no clube e exigir a devolução do valor pago na contratação de jogadores, o que obrigou o time a se desfazer de vários atletas e investir na base. No entanto, a aposta deu muito certo e o time revelou talentos como Patrick de Paula, Gabriel Menino, Wesley e Danilo.

O Santos, por sua vez, teve o ex-presidente José Carlos Peres sofreu impeachment em novembro do ano passado por irregularidades nas contas do clube em 2019. O time também demitiu o treinador Jesualdo Ferreira em agosto após maus resultados do time no Campeonato Brasileiro. Atrasos de salários e vendas de jogadores por preço baixo também marcaram o time. Apesar disso, o técnico Cuca conseguiu montar uma equipe envolvente que chegou com moral à decisão.

O duas equipes fizeram ótimas campanhas na competição. Na primeira fase, as duas fizeram campanha idêntica, com 16 pontos, com cinco vitórias e um empate, sem nenhuma derrota. No mata-mata, o Verdão foi um pouco melhor: em seis partidas, venceu quatro, empatou uma e perdeu uma, enquanto o Peixe venceu três, empatou duas e foi derrotado uma vez, contra a LDU.

No total, o Palmeiras tem 12 jogos pela Libertadores, com nove vitórias, dois empates e uma derrota, mascando 32 gols, tomando seis. O Santos venceu oito, empatou três e perdeu uma. A equipe marcou 20 gols e levou nove.

A partida será disputada às 17h (horário de Brasilia) com apenas 8.000 torcedores presentes no estádio devido à pandemia do noco coronavírus (covid-19), fato lamentado nos últimos dias pelas torcidas dos dois times paulistas.

O Santos, que deixou Liga Deportiva de Quito-EQU, Grêmio e Boca Juniors-ARG pelo caminho, busca o tetracampeonato e se tornar a equipe brasileira com mais Copa Libertadores, após os dois títulos com Pelé em 1962 e 1963, e o de 2011 sob comando de Neymar.

O Palmeiras bateu Delfin-EQU, Libertad-PAR e River Plate-ARG e busca o seu segundo título da competição. Será a quarta final de sua história e a primeira em 22 anos, após conquistar o único título da principal competição de futebol do continente em 1999.

O campeão vai representar o Brasil e a América do Sul no Mundial de Clubes da FIFA, que começa na próxima segunda-feira (01/02). Além disso, terá garantida classificação direta para a próxima edição da Libertadores e jogará a Recopa contra o clube argentino Defensa y Justicia, campeão da Copa Sul-Americana.

A história do Santos no torneio

Campeão em 1962, 1963 e 2011, o Santos chega à sua quinta decisão e faz o inédito clássico paulista contra o Palmeiras em busca do histórico tetracampeonato.

Com 15 aparições na história da Libertadores, o Santos é, ao lado de São Paulo e Grêmio, o time brasileiro com o maior número de títulos -três no total. Bicampeão em 1962 e 1963, o time da Baixada Santista chegou ao tricampeonato em 2011. Antes disso, o Alvinegro Praiano já havia disputado uma decisão em 2003, a única perdida em sua história na competição sul-americana.

Criada em 1960, a Libertadores teve o Santos como o primeiro time brasileiro a ser campeão. Por ter conquistado o Campeonato Brasileiro em 1961, Pelé e companhia se classificaram para o certame. Na primeira fase, os santistas avançaram como líder do Grupo 1, que tinha Cerro Porteño-PAR e Deportivo Municipal-BOL. Na época, a competição era formada por nove equipes na primeira parte e os três líderes de cada chave avançavam para se juntar ao campeão Peñarol na semifinal.

Classificado à semifinal, o Santos empatou com a Universidad Católica-CHI, por 1 a 1, na ida e avançou à final contra os uruguaios do Peñarol -bicampeão sul-americano na época- com uma vitória simples com gol de Zito. Na primeira final, o Santos venceu no Uruguai por 2 a 1, com dois gols de Coutinho. Na volta, na Vila Belmiro, o time visitante venceu por 3 a 2. O jogo desempate aconteceu na Argentina e o time brasileiro contou com dois gols de Pelé e um contra do zagueiro Caetano para levantar o seu primeiro título.

Campeão do ano anterior, o Santos garantiu a vaga diretamente à semifinal da Libertadores em 1963. Apesar de “pular” a primeira fase, o time paulista não teve vida fácil e enfrentou o Botafogo na semifinal, um dos melhores times brasileiros da época ao lado do próprio alvinegro. Um empate por 1 a 1 no Maracanã, na ida, e uma goleada por 4 a 0, em São Paulo, carimbou a vaga santista em mais uma final.

O adversário da decisão foi o Boca Juniors-ARG. Com grande atuação, o Santos venceu o jogo de ida no Maracanã por 3 a 2, com dois gols de Coutinho e um de Lima e depois venceu os argentinos novamente na La Bombonera, mas por 2 a 1, com tentos de Coutinho e Pelé para chegar ao bicampeonato.

Após 40 anos longe da final da Libertadores, o Santos retornou à decisão em 2003, novamente contra o Boca Juniors-ARG. Campeão brasileiro em 2002, Diego, Robinho e companhia tiveram a segunda melhor campanha da fase de grupos e eliminou o Nacional-URU, Cruz Azul-MEX e Independiente Medellín-COL até a final. No embate derradeiro, os argentinos venceram a ida por 2 a 1 e a partida de volta, por 3 a 1, no Morumbi.

Sob o comando de Muricy Ramalho e o talento de Neymar, o Santos chegou ao tricampeonato em 2011. Campeão da Copa do Brasil em 2010, o time praiano teve uma primeira fase apertada e avançou como vice-líder do Grupo 5, com 11 pontos, mesma pontuação do líder Cerro Porteño-PAR. Dono da nona melhor campanha, eliminou o América-MEX nas oitavas de final, o Once Caldas-COL nas quartas de final e o Cerro Porteño na semifinal.

Na grande decisão, o Santos teve o Peñarol-URU pela frente, adversário da sua primeira final em 1962. No Uruguai, o time paulista segurou uma igualdade sem gols e com a vitória por 2 a 1, no Pacaembu, com gols de Neymar e Danilo, chegou ao tricampeonato continental.

A história do Palmeiras na Libertadores

Brasileiro com o maior número de aparições (20) na história da Libertadores, ao lado de São Paulo e Grêmio, o Palmeiras chega à sua quinta final. Sob a batuta do técnico português Abel Ferreira, o time palmeirense vai em busca do bicampeonato sul-americano diante do Santos, na primeira decisão entre clubes paulistas da história da competição continental.

Ao lado do Grêmio e Santos, rival na decisão, o Palmeiras é o segundo brasileiro com maior número de finais na história da Libertadores, atrás apenas do São Paulo, que soma seis. O time de Palestra Itália conquistou apenas um título, em 1999, sob o comando de Luiz Felipe Scolari. A curiosidade é que Felipão foi o único técnico brasileiro a levar o time palmeirense à final, já que em 1961 e em 1968, os comandantes foram os argentinos Armando Renganeschi e Alfredo Gonzalez. Agora, o responsável por conduzir o clube alviverde é o português Abel Ferreira

O Palmeiras foi o primeiro time brasileiro a chegar à final da Libertadores em toda a história. Campeão brasileiro em 1960, o time paulista eliminou o Independiente-ARG com vitórias por 2 a 0, na Argentina, e por 1 a 0, no Pacaembu. Na semifinal, os palestrinos empataram por 2 a 2, com o Independiente Santa Fé, na Colômbia, e golearam por 4 a 1 em São Paulo.

A decisão foi contra o Peñarol-URU, campeão sul-americano do ano anterior. No primeiro encontro, os uruguaios venceram por 1 a 0 e o empate por 1 a 1 em São Paulo decretou o bicampeonato ao time estrangeiro. Na oportunidade, o Palmeiras contava com grandes craques do futebol nacional como o goleiro Valdir de Morais, Djalma Santos e Julinho Botelho, por exemplo.

Sete anos após a sua primeira final, o Palmeiras chegou novamente à decisão em 1968 novamente por ter sido campeão nacional no ano anterior. O time brasileiro avançou na primeira e segunda fase como líder de suas chaves e se credenciou a jogar a semifinal contra o Peñarol. Os palmeirenses venceram pelo placar mínimo em São Paulo e por 2 a 1 no Uruguai, garantindo a vaga na final.

O adversário da decisão foi o Estudiantes-ARG e o primeiro confronto foi em solo hermano com vitória dos donos da casa por 2 a 1. Na volta, no Pacaembu, o Palmeiras venceu por 3 a 1, com dois gols de Tupãzinho e um de Rinaldo. O jogo desempate foi marcado no Uruguai e os argentinos venceram por 2 a 0.

O ano de 1999 foi especial para o torcedor palestrino. Campeão da Copa do Brasil no ano anterior, o Palmeiras foi um dos três representantes nacionais no torneio sul-americano ao lado do rival Corinthians e do Vasco da Gama, campeão em 1998. Na primeira fase, o time Scolari avançou como vice-líder com 10 pontos, dois atrás do Corinthians. Nas quartas, o Alviverde eliminou o Vasco com empate, por 1 a 1, no Palestra Itália, e goleada por 4 a 2 no Rio de Janeiro. Na etapa seguinte, o rival da vez foi o Corinthians e cada equipe venceu um jogo por 2 a 0. Na decisão por pênaltis, “São Marcos” apareceu e ajudou os palestrinos a chegarem à semifinal.

O confronto semifinal aconteceu diante do River Plate-ARG e os argentinos venceram por 1 a 0, em Buenos Aires, com grande atuação do goleiro Marcos. Na volta, no Palestra Itália, foi a vez do meia Alex brilhar e anotar dois gols na vitória por 3 a 0, que ainda teve um tento do zagueiro Roque Júnior. O adversário da final foi o Deportivo Cali, da Colômbia.

A primeira partida, em Cali, foi vencida pelos colombianos pelo placar mínimo. Já a volta, no Palestra Itália, o Palmeiras venceu no tempo normal por 2 a 1, com gols de Evair e Oséias, e conquistou o seu primeiro título continental na disputa de pênaltis. O time alviverde era formado por nomes como Marcos, Roque Júnior, Júnior e Zinho, todos campeões do mundo com o Brasil, além de grandes talentos como César Sampaio, Alex e Evair, sob o comando de Scolari.

Campeão da América em 1999, o Palmeiras teve a vaga assegurada no ano seguinte e encerrou a primeira fase na liderança do Grupo 7. Nas oitavas de final, o time brasileiro eliminou o Peñarol, nos pênaltis, o Atlas-MEX nas quartas de final, e o Corinthians na semifinal, novamente nos pênaltis. Na decisão, dois empates levaram a disputa para a penalidade máxima e os argentinos do Boca Juniors levaram a melhor no Morumbi.

Fotos: César Greco (Palmeiras), Ivan Sorti (Santos) e Conmebol

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