Provocativo

E se não fosse com Gentili?

E se o Gregório Duvivier chamasse o Bolsonaro de filho da puta, rasgasse e esfregasse uma intimação no saco, todos estariam defendendo os mesmos valores que defendem agora ou tudo isso acontece porque é a figura antipática para muitos do Danilo Gentili?

Esta semana, o comediante Danilo Gentili, do SBT foi condenado a seis meses de prisão por injúria contra a deputada federal Maria do Rosário (PT). Gentili ofendeu a parlamentar pelas redes sociais e quando intimado judicialmente, fez um vídeo onde aumentou o tom das ofensas, rasgou uma intimação e a esfregou nos genitais. Maria do Rosário o processou novamente e esta semana saiu a sentença.

O caso reabriu o debate sobre os limites da liberdade de expressão. Mas, ao contrário do que se imaginava, muitos críticos do apresentador saíram em sua defesa por acreditar que ele apenas exerceu seu direito de se expressar. Sobre isso, Vocativo.com convida a uma reflexão: e se fosse o contrário? Qual o limite da liberdade de expressão?

Vamos imaginar que outro comediante, de pensamento antagônico ao de Gentili, passasse pela mesma situação. O que aconteceria? E se o Gregório Duvivier chamasse o Bolsonaro de filho da puta, rasgasse e esfregasse uma intimação no saco, todos estariam defendendo os mesmos valores que defendem agora ou tudo isso acontece porque é a figura antipática para muitos do Danilo Gentili?

Quantos de nós não chamamos Joice Hasselman (ou qualquer político pelo qual nutrimos antipatia) dos mesmos adjetivos que Gentili usou contra Maria do Rosário (cínica, nojenta, canalha e até puta)? Se é certo condenar uma pessoa por dizer isso, nós estamos sujeitos à mesma pena. Estamos prontos pra isso?

A questão não chega a ser Gentili, mas o comportamento das pessoas diante do fato. O preço da democracia e do Estado Democrático de Direito é nos sujeitarmos ao mesmo tratamento que queremos para os que pensam diferente. Seja de permissão ou de punição. Se há dois pesos e duas medidas, a nossa causa perde a justiça. E muitas pessoas apoiaram a decisão exclusivamente por serem avessas ao comediante.

Limites

Pessoalmente, acredito que o limite da liberdade de expressão seria quando causa prejuízo físico ou mental comprovado em alguém e nos casos de calúnia. Isso porque imputar a alguém uma atitude ou um comportamento que ela não tem pode gerar inclusive a morte dessa pessoa, se acusada injustamente de um crime, por exemplo.

Ao chamar a deputada de “puta”, Gentili cometeu crime de injúria e merece ser punido. Mas especificamente por este fato. O mesmo aconteceria se fosse um comediante ofendendo da mesma maneira uma parlamentar ultraconservadora de direita.

Gentili ataca, persegue, critica, xinga e provoca Maria do Rosário como muitos de nós fazemos com Bolsonaro, Silas Malafaia, Marco Feliciano, Roger do Ultraje a Rigor, Lula, Dilma, Temer, etc. Se um pode fazê-lo, obrigatoriamente o outro também tem de ter esse direito. Paciência. É o preço que pagamos para nos expressar. E é melhor que qualquer alternativa.

Foto: Facebook/Danilo Gentili

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