Provocativo

Porque só psicopatas comemoram uma ditadura

Você já viu alguém comemorar a morte de algum nazista? Ou uma vítima da ditadura celebrar a morte de um militar? Só pessoas com distúrbios mentais fazem isso

Durante a Segunda Guerra Mundial, a humanidade esteve ameaçada por um regime onde o horror e a barbárie eram a regra. A ameaça nazista foi tamanha que uniu países completamente antagônicos em uma batalha sangrenta contra ela. Apesar disso, nesses quase 75 anos do fim da guerra você alguma vez teve notícia de alguma comemoração da morte de algum nazista? Eu também não.

Trazendo para uma realidade mais recente. Alguma vez, passados trinta anos da redemocratização do Brasil, você viu alguma entidade ou vítima de tortura ou que teve parentes assassinados comemorar a morte de algum militar que tenha cometido tais crimes? Mesmo a do escroque Carlos Brilhante Ustra? Eu também não.

Toda guerra, ditadura ou conflito gera sentimentos como comoção e pesar em qualquer sociedade civilizada. Mas o principal costuma ser reflexão. O sofrimento, as perdas e principalmente as mortes geralmente unem as pessoas em torno de um sentimento de mudança, para que aquilo não se repita. Por isso a sociedade alemã, por exemplo, mantém intacto o campo de concentração de Auschwitz. Para lembrar o horror que não pode se repetir.

Não se trata de ser utopicamente pacifista. A violência infelizmente faz parte da humanidade e sempre fará. Não se questiona o fato de que, na vida, às vezes a força letal é necessária para evitar um mal maior. Tanto que o direito legitima matar uma pessoa para a autodefesa. Mas ver satisfação, prazer, algo a ser comemorado, é um sintoma preocupante.

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), o indivíduo psicopata apresenta desprezo pelas obrigações sociais, falta de empatia para com os outros, desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas, além da tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade. Idêntico ao perfil dos que elogiam a ditadura militar brasileira.

Vamos imaginar que os fatos fossem outros, que de fato existisse uma ameaça comunista no Brasil nos primeiros anos da década de 1960 e os militares a repeliram. Isso ainda não justificaria atos de tortura e terrorismo cometidos pelo regime e seus autores deveriam ser exemplarmente punidos. Mas dentro da lei.

Aí entra a diferença: nenhuma pessoa mentalmente saudável se sente bem com o sofrimento alheio. É de outro ser humano que estamos falando, com família e amigos. Mesmo as vítimas da ditadura não quiseram vingança porque mantiveram sua sanidade.

Por isso, quando você vir alguém elogiando ou celebrando a morte e a tortura, saia de perto. Essa pessoa pode ser muito perigosa.

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