Provocativo

A anatomia de um fiasco

Será realmente que Bolsonaro pensa que governa apenas para seus apoiadores? Que investidores e chefes de Estado estrangeiros ignoram as notícias escandalosas sobre seus filhos e vão aplaudir seu discurso absolutamente vazio de propostas e posições que o mundo aguardava? Ele realmente acha que furar a coletiva de imprensa em um evento mundial não passa a certeza de que temos um presidente covarde?

Bolsonaro está em campanha presidencial informalmente desde 2014. Liderava as pesquisas de intenção de voto desde 2016. Em 2018, estava absoluto em primeiro em qualquer cenário desde a condenação de Lula, seu único adversário plausível. Em todo esse tempo, o presidente não teve a decência de tirar algumas horas pra estudar? Nem que fosse só pra se comunicar com o mínimo de clareza?

Paulo Guedes pode ser o articulador da economia, mas o chefe de Estado é Bolsonaro. É ele quem tem o comando. Se a amanhã ou depois Paulo Guedes tiver um problema de saúde ou até venha a morrer (ninguém torce por isso, lógico, mas é um risco que todos corremos), o país entra em colapso?

Será realmente que Bolsonaro pensa que governa apenas para seus apoiadores? Que investidores e chefes de Estado estrangeiros ignoram as notícias escandalosas sobre seus filhos e vão aplaudir seu discurso absolutamente vazio de propostas e posições que o mundo aguardava? Ele realmente acha que furar a coletiva de imprensa em um evento mundial não passa a certeza de que temos um presidente covarde?

Uma posição clara e direta sobre os escândalos envolvendo sua família era o mínimo que um investidor, estrangeiro ou nacional, espera. Afinal, como posso ter certeza de que não vou investir meu dinheiro com base em um programa de governo que pode cair a qualquer momento?

Como será a política cambial do novo governo? Manterá o tripé macroeconômico de outros? Se sim, como? Qual será a meta de inflação? E a política de juros? Terá uma política de abertura total de mercado ou será protecionista em alguns setores? Como será o cronograma de privatizações nos quatro anos de mandato? Como pretende investir em infra-estrutura para melhorar a receptividade do Brasil ao turismo?

Em uma economia globalizada, informação é um bem valioso. E garante duas coisas importantes que o governo atual não possui: estabilidade e tempo. Se Bolsonaro respondesse perguntas ou discursasse com conteúdo, abriria um leque de informações que pautaria a mídia para outro assunto diferente do ex-assessor de seu filho, Fabrício Queiroz. Era questão de lógica simples. Não o fez. Preferiu o populismo do bandeijão e o silêncio.

A história é implacável com os maus estrategistas. Se para o mundo antes Bolsonaro tinha apenas a fama de pouco inteligente e articulado, agora tem a certeza. Era melhor ter ficado no Brasil.

Foto: Alan Santos/PR

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