Provocativo

A violência no Brasil é real e não uma luta contra “moinhos comunistas gigantes”

O grande mal dos setores mais conservadores do Brasil é ter apenas a perspectiva do próprio umbigo para os graves problemas sociais do país. O ataque ao candidato Jair Messias Bolsonaro ocorrido nesta quinta-feira (06) serve para ilustrar que o Brasil não está em nenhuma guerra imaginária contra o comunismo, mas tem um problema muito mais sério com que se preocupar: a violência.

A violência é um fenômeno social que não atinge apenas uma classe. Ela é inerente à condição humana e nos acompanha desde os primórdios da civilização. E acima de tudo: é um fenômeno com causas diversas e soluções complexas.

A ideia de que Bolsonaro foi vítima de seu discurso é rasa, leviana e perigosa. A vítima nunca pode ser responsabilizada pelo crime. E, se essa lógica fosse verdadeira, pacifistas históricos como Gandhi e Martin Luther King não teriam sido assassinados.

Bolsonaro acreditou que vivia no seu mundo imaginário, onde ele é o herói hercúleo que veio salvar o povo da terrível ameaça comunista. Esqueceu que como qualquer brasileiro, estava exposto à mesma violência que todos nós. E quase pagou por isso com a vida.

A violência existe em todas as camadas sociais, mas é alimentada por alguns fatores, como a pobreza e a falta de acesso a serviços como educação e saúde. Quando muitas pessoas se encontram em situação de desespero, recorrem ao que puderem e lutam contra o que precisarem para sobreviver. A alta criminalidade é apenas uma consequência lógica desse quadro.

Ao propor como única medida de segurança armar a população, Bolsonaro enxerga apenas a visão estereotipada do homem norte-americano branco heterossexual rico, proprietário de carro de luxo ou negócio próprio, que tem a possibilidade de usar uma arma ao ser abordado por um assaltante. Algo fora da realidade da maioria da população brasileira.

O cidadão brasileiro não tem como pagar R$ 5 mil por uma arma de fogo para levar no ônibus ou metrô e sacar arriscando a própria vida. A mulher brasileira também não quer ter de se preocupar com assalto, estupro e manuseio da arma enquanto volta pra casa.

O que todos querem é apenas e tão somente o direito de ir e vir em segurança. Como Bolsonaro gostaria de ter feito na tarde daquela quinta-feira.

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