Esportes

Alguém notou que o adversário nunca vence?

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Dizem que a soberba é a mãe dos pecados. Se há uma palavra para definir o motivo do maior vexame da história da Seleção Brasileira, é ela. Pare e puxe na memória a última vez em que mídia ou torcida disseram que a Seleção Brasileira de futebol perdeu para outro time simplesmente porque ele este era melhor. Você lembra? Eu não.

Em 1950, fomos confiantes demais. Em 1954 e 1974 não estávamos preparados para as surpreendentes Hungria e Holanda. Em 1966, 1990 e 2006 a desorganização não deixou o time se preparar. Em 1978, a Copa estava comprada pela Argentina e o Peru entregou. Em 1982, Telê foi ofensivo demais e não fechou o time contra a Itália. Em 1986 tivemos azar nos pênaltis. Em 1998, Ronaldo teve uma convulsão. Em 2010 Dunga não levou Neymar. Enfim, nenhuma Copa é vencida. Ou o Brasil ganha ou o Brasil perde.

Quando você confronta um adversário preparado, motivado e qualificado contra outro apenas motivado, o resultado é, via de regra, uma derrota acachapante. É assim em todo esporte. Salvo uma ou outra surpresa ou capricho do destino, o mais preparado vence. Os títulos e craques criaram o estigma de que o futebol praticado no Brasil é naturalmente bom. Os outros países tinham seus estilos, todos inferiores ou cópias baratas do nosso e venciam apenas quando o Brasil, por algum motivo, não estava bem. Isso tem nome: soberba.

Foi a soberba quem fez os responsáveis pelo futebol brasileiro estagnarem por anos em termos de preparação achando que o trabalho árduo de outras equipes nunca seria suficiente para sobrepujá-lo. Uma hora essa defasagem iria cobra seu preço. E ele veio com juros e correção monetária: Brasil 1 x 7 Alemanha na semifinal Copa do Mundo nesta terça-feira, 8 de julho de 2014, no Mineirão, em Belo Horizonte.

Os sinais já vinham aparecendo há muitos anos. As seleções de base nunca servem como preparação para jogadores servirem o time principal. No máximo, como balcão de negócio para empresários. Isso também acontece nos clubes, que mesmo quase 14 anos depois ainda não sabem lidar com a Lei Pelé e hoje buscam no mercado da América Latina a solução para os seus problemas. Ficou mais fácil e barato trazer do que preparar jovens. Os mais talentosos vão direto para a Europa, que oferecem salários maiores.

O resultado é que mesmo com títulos nas divisões de base, sempre há jogadores na equipe titular que disputa uma Copa com deficiência em fundamentos. E aos poucos os talentos individuais vão rareando. Os anos de 1990 nos trouxeram Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos, Rivaldo, Romário e outros. Agora tente lembrar de cabeça nos últimos 10 anos quantas revelações minimamente parecidas com eles o futebol brasileiro apresentou. Temos o Neymar e…?

Também não é por acaso que nenhum treinador brasileiro trabalhe em outros centros que não sejam no Oriente. E já não com a mesma abertura de mercado do que antes. Poucos são os que buscaram aprender métodos de trabalhos adotados em outros países. Talvez os únicos exemplos sejam Cuca e Tite. Coincidência serem os últimos campeões da Libertadores? Mas mesmo em seus trabalhos vitoriosos, ambos apresentaram vícios parecidos com os de Felipão nesta Copa. Ou seja. É uma categoria que também precisa ser reciclada.

Não se trata de copiar ninguém. Mas de agregar mais seriedade e profissionalismo para encontrar (ou reencontrar, como queiram) o nosso padrão. Há ótimos valores no time brasileiro que tem muito potencial e vão continuar a defender o Brasil (David Luís, Thiago Silva, Neymar, etc.) e outros que vão sair, mas que não merecem ficar estigmatizados, como Fred e o próprio Felipão, que possui uma bela carreira. Ambos foram muito mais vítimas do que vilões dessa defasagem do nosso futebol.

O saldo dessa goleada é a necessidade do futebol brasileiro quebrar este paradigma. Assim como aconteceu após a primeira Copa no Brasil, em 1950, quando encontramos um caminho vitorioso que nos deu 5 títulos após uma grande tristeza, temos a chance e a necessidade de recomeçar, evoluir. Pela própria cultura do futebol no Brasil, talento sempre existirá. Basta aprender com outros países como trabalhá-lo com profissionalismo e poderemos deixar esse dia triste para trás.

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